sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EU NÃO TENHO TEMPO

                 Essa é uma expressão que, sem dúvida, já foi dita por todos nós. Entretanto, podemos afirmar que se trata muito mais de uma desculpa do que uma justificativa. Somos levados a usar tal desculpa para explicar o fato de não conseguirmos realizar tarefas, é assinarmos nosso próprio atestado de incompetência.
                 Quando usamos essa expressão "EU NÃO TENHO TEMPO" de forma banal, corriqueira, estamos conscientes ou inconscientes, mostrando o nosso lado egoísta e presunçoso.
                 Quantas vezes você ouviu essa desculpa, ou também a deu para alguém?
                  Essa expressão ao meu ver, demonstra que o tempo não  lhe pertence, que não possui controle sobre ele. Infelizmente, quando usamos essa expressão, queremos dizer que estamos muito ocupados e não nos resta nenhum momento para outra coisa.
                   Quem tem tempo para brincar com os filhos ou netos?
                    Amanhã eles não vão mais poder brincar com você, cuidar de você, pois também estarão "ocupados", pois foi isso que eles receberam - "falta de tempo".
                     Quem tem tempo para visitar amigos, parentes?
                      Seja para cuidar os que estão doentes, consolar os que estão tristes, ou simplesmente para jogar conversa fora, rir, fazer companhia. Se não encontras tempo hoje, amanhã pode ser tarde, pois somos todos mortais.
                        O tempo é o mesmo para todos, mesmo que não pareça, as vezes as pessoas se queixam tanto, que não enxergam que existem pessoas tão ocupadas ou mais que elas, que acham tempo para tudo, só alguns controlam a própria vida e tiram proveito dela.
                      Há quem se queixe que não tem tempo por trabalhar demais, ora até se entende que as pessoas necessitam trabalhar, mas a ambição torna as pessoas egoístas, e se não é por ambição, é por falta de controle nas próprias finanças.
                      É cansativo ver as pessoas sempre se queixarem, e muitas vezes até se tem vontade de fazer uma visita, mas de que jeito? Se queixam tanto de falta de tempo, que me sinto mal, sempre com a sensação de que estou incomodando.
                      É hora de parar de nos queixarmos (o que não é muito meu caso), sermos donos da nossa própria vida, conduzirmos ela ao nosso bel prazer. Fique no comando, você é capaz disso, não se acomode, não se lamente,cresça.
                     Levante, se desacomode, procure, telefone, depois pode ser tarde, não só a morte, mas a mágoa pelo esquecimento, pelo desamparo pode se eternizar.
                     Talvez, ninguém leia isso, mas quer saber, eu escrevi, eu sinto, e a mim interessa saber que EU TENHO TEMPO -  EU FAÇO MEU TEMPO - EU SOU DONA DELE!

              
                  



sábado, 18 de agosto de 2012

AMOR DE PAI TEM PREÇO?


     


        “Os  nossos  pais  amam-nos  porque  somos  seus  filhos,
        é um fato inalterável.  Nos  momentos  de sucesso,  isso
       pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso
      oferecem  um  consolo  e  uma  segurança  que  não  se
     encontram  em qualquer outro lugar”. Bertrand Russel



Amor de pai tem preço? Muito tem se ouvido falar sobre pedido de indenizações judiciais aos pais que abandonaram seus filhos, não lhes prestando amor, carinho, cuidados, ferindo o principio da dignidade humana.

É inconcebível, e porque não dizer "monstruoso", que um homem adulto, conhecedor de suas realidades, entendedor das dificuldades diárias da vida, seja capaz de largar os filhos a própria sorte.
Como pode, ver um filho nascer, ouvir balbuciar as primeiras palavras, acompanhar os primeiros passos incertos, e depois, como seres pequenos, frágeis e indefesos, sejam abandonados por aquele homem que tinham como heróis, como exemplo
Ser pai, não é gerar filhos, muito menos dar seu sobre nome, ser pai é uma missão divina, tanto que é quase impossível enumerar todos os conceitos filosóficos para essa tarefa árdua e dignificante ao mesmo tempo. Sim árdua, pois para ser pai, precisa muitas despir-se de suas vaidades, luxúrias e rever conceitos, precisa abrir mão de seu orgulho, suplantar suas dores físicas e emocionais, para curar a dos próprios filhos, há de ser exemplo de fé, coragem e sabedoria, pois está preparando filhos para o mundo, e um homem de verdade, acredita e luta por um mundo melhor. Um pai de verdade, toma banho de chuva, joga bola, até brinca de casinha e maquiagem se tiver filha mulher, um pai de verdade, faz pic nique, ensina os filhos a nadar, empinar pipa, jogar varetas, ser pai é chorar de emoção quando homenageado em seu dia, se não for um pai da era digital, é aprender com os filhos esse mundo moderno,é incentivar os estudos, os cuidados com a natureza, o respeito ao semelhante. É estimular a fé, a perseguição de bons sonhos. É também dar asas aos filhos, com um cordão tênue para manter ao seu lado, sempre perto para quando precisarem de conselho, ombro amigo, palavras de incentivo.
Mas ser pai, também é impor limites, delimitar horários, cobrar organização, fiscalizar os atos, tudo recheado de muito carinho e sagacidade.
Ser pai, é ser homem, não interessa se esse pai é de sangue, se possuem a mesma carga genética, o que conta é a participação, a convivência, o amor, a dedicação.
Portanto, os filhos que são brutalmente privados desses cuidados, sofrem por esse abandono, devem sim procurar na justiça amparo para suas dores, não que isso vá amenizar ou suprir o erro daquele a quem conhecem como pai, mas para que criatura tão infame não volte a colocar no mundo mais seres sofredores, para que um ser desses não macule essa palavra tão linda, tão pequena, mas revestida de imensa ternura e responsabilidade.
Um homem que desampara seus filhos, deve sentir alguma privação, nem que essa seja material, para que sofra de alguma forma, pela irresponsabilidade de seus atos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O PÉ DE MANACÁ

Meia noite, me viro de um lado e outro, mas o sono não vem. A casa está no mais completo silêncio, lá fora sopra um vento forte, o barulho nas árvores, soa como um chicote cortando o ar, a chaminé da lareira faz um rodopio barulhento, parece que geme, como se estivesse a reclamar dos castigos . Os cachorros latem ferozmente, como se estranhos passassem na rua, aguço meus ouvidos, apenas o barulho assustador do vento, do resto, apenas silêncio.
Me acomodo, me aconchego ao corpo do meu marido,  dessa forma a me esconder de algo que não vejo, apenas escuto. Nesse momento olho pelas frestas da janela o bailado dos galhos pintam figuras estranhas, iluminadas pela luz da rua.
Como num lampejo, penso no pé de manacá, coberto de botões, prestes a abrirem-se em belas flores, será que no amanhecer, com a geada que se prenuncia eles ainda estarão lá?
Levanto, espreito pela janela o pé de manacá, sinto uma dor profunda ao ver os movimentos consistentes da bela árvore, sei que é contra sua vontade, pois são provocados pelo vento gélido cada vez mais forte, arrebatando seus galhos em um bailado forçado.
Caminho  pela casa no escuro, um silêncio assustador me rodeia, pensamentos desconexos vão e vem, é como se nesse momento eu perdesse totalmente o controle deles.
Na ponta dos pés, para não fazer barulho, volto para cama, deslizo delicadamente para debaixo das cobertas. Acho que peguei logo no sono, não lembro. O despertador me chamou antes de clarear o dia, me dirijo até o quarto dos meus pequenos, dormem um sono profundo, o verdadeiro sono dos anjos, mas fazer o que, João Pedro precisa levantar para ir à escola, carinhosamente o chamei, fui até a cozinha trazer-lhe um copo d'água para tomar seu remédio, o vento continuava forte, ajeitei as cobertas do Renato, dei-lhe um beijo, depois que ele saiu, voltei a deitar-me mais um pouco, afinal eu só tinha compromisso mais tarde.
Mas o sono não voltou, eu estava por demais curiosa para ver o pé de manacá, ver se ele tinha sobrevivido a forte ventania, que o castigou por toda noite.
Levantei-me, meu marido também, o vento ainda insistia, apesar do sol já ter nascido, depois de me agasalhar fui ver o manacá, continuava lá imponente e cheio de botões.
E assim foi o resto do dia, o manacá sobreviveu a ventania, o sol ocupou seu lugar, e onde o vento não batia, ele conseguiu cumprir sua missão de transmitir calor.
E assim nós deveríamos nos comportar, mesmo que as dores nos assolem e nos façam sofrer, sejamos como o manacá, que mesmo sofrendo insistiu em manter-se ereto, garboso e cheio de botões, embelezando nosso jardim, façamos como o sol, que mesmo sendo o astro rei, se escondeu por alguns momentos para dar lugar ao vento, para que esse também se sobressaísse, e mesmo assim não perdeu seu brilho resplandecente.
Ninguém é tão sofredor que não possa aliviar o sofrimento alheio, ninguém é tão altivo que não possa em algum momento ceder seu lugar para  que outro possa brilhar. Que tem humildade e benevolência com seu semelhante não precisa esforçar-se para brilhar, pois quem assim o faz é porque tem luz própria.

terça-feira, 10 de julho de 2012

SER PIMENTA! SER ESTRADA!

Descobri que sou como pimenta. Mas não é uma característica somente minha, mas de todas as mulheres que sabem o que querem da vida, que se encontraram em uma rua dessas que a vida construiu, com direito a curvas, rótulas e placas de advertência.
Para ter o prazer (ou desprazer) de desfrutar da minha amizade, meu companheirismo, meu amor, tem que ter estômago forte, não pode ter um paladar mais ou menos, afinal, a pimenta é somente para quem gosta, pois muda o gosto, não é somente um simples tempero, e tem que ser no ponto certo, não vale tomar água para amenizar o ardor, tem é que apreciar devagar, como um prato exótico.
Estou falando de mim como pessoa, mulher, mãe, filha, amiga, amante. Assim como sou pimenta, também gosto de pessoas assim, surpeendentes, não gosto de gente morna, que viva a vida no mais ou menos. Gosto de me relacionar com pessoas de atitudes marcantes, caráter forte, personalidade mutantes.
Admiro pessoas que batem de frente, se jogam, vivem. E quanto mais me criticam, mais me olham torto, mais eu queimo, mais tempero coloco em minhas atitudes.
Sou feliz comigo mesma, meus defeitos, minhas atitudes, meus pensamentos, minhas ações. tenho orgulho de mim mesma.
Já fui julgada, ignorada, confrontada,magoada, já fui humilhada, mas cá estou, e em pé, altiva sempre, pois me tornei forte, madura e aprendi com os meus erros e com as vezes em que me deixei caír.
Sou pimenta, sou estrada, já percorri muitos caminhos, alguns dolorosos, outros nem tanto, também tive momentos de tirar o fôlego de tanta felicidade, tive momentos de torpeza,como qualquer pessoa.Mas em todos eles, fui verdadeira, forte, mas também sei ser falsa, não se enganem, não sou assim tão boazinha.
Gosto de amar  ao sabor do tango, ser feliz no ritmo do heavy metal, resolver os problemas na cadência de uma valsa, e para quem merece, danço todos os compassos.
Gosto de tempestades, ou de sol bem forte, não gosto de dias mornos. Pois o que menos sou é de temperamento insípido.
Por isso, para mim não vale o , ser meio bicho, meio fera, meio gente, sou tudo isso , mas sou inteira. E quero que as pessoas ao meu redor também sejam assim, inteiras, sem reservas, sem queixas, sem lamúrias, nem daquelas que levam a música do Zeca Pagodinho ao pé da letra: "Deixa a vida me levar...", gosto de pessoas que levam a vida, dão ordens para onde a vida vai, mas se por ventura, ela insistir em mudar seu curso, levantam a cabeça e retomam o comando.
Quero ser comandante da minha estrada, entrar perigosamente em cada curva, prestando atenção as placas de advertência, afinal, sou dona da minha vida, mas não vivo sozinha, portanto, meu tempero tem limites, mas que fique claro, apenas para quem merece, apenas para aqueles que amo e que merecem meu amor.
. E se eu caír por causa das minhas escolhas? Tudo bem, colo meus pedaços e recomeço novamente, minha persistência é gigante para contra balançar com minha paciência resumida.
Ser pimenta, estrada tortuosa, é uma questão de escolha, escolhi ser assim, e por isso sou feliz






quinta-feira, 28 de junho de 2012

TRAIÇÃO CONJUGAL GERA INDENIZAÇÃO

Ultimamente tem-se discutido muito tanto no judiciário quanto na imprensa, sobre o dever de indenizar o parceiro traído. E ultrapassa as fronteiras do casamento, inclui-se inclusive o namoro e o noivado.
A traição gera dor, sofrimento, baixa estima, portanto me incluo no rol dos defensores dessa indenização moral. Não que o valor pecuniário irá amenizar o sofrimento de quem é vítima de uma traição, mas vejo aqui como uma forma de vingança velada de quem sofreu essa humilhação, teve sua honra abalada.
A mulher pela sua personalidade maternal, perdoa com mais facilidade uma traição,mas exige um esforço sobre humano das duas partes, pois há de haver um grande compromisso por parte do traidor, assim como um investimento de energia por parte de quem perdoa, até porque a vitima não se coloque  nesse papel, tentando encontrar motivos em que ela foi culpada pela traição. O único culpado pela traição é o traidor, se o traído tem erros, não se justifica que esses sejam compensados por uma traição.
Entender os motivos que levaram a traição, provocará uma auto avaliação por parte de ambos, e fará com que ambos assumam suas responsabilidades na manutenção do amor e da convivência diária. E que esse amor, e essa confiança deverá ser alimentada sempre.
Mas só cabe o perdão onde ainda exista amor e sincero arrependimento de quem traiu. É possível reconstruir uma relação quando ainda existe amor. Eu particularmente, não sei se perdoaria uma traição, pois acredito que quem ama não trai, e se o amor terminou, tudo bem, peça separação e vá viver esse novo amor.
Não há necessidade de humilhar, ofender a dignidade de uma pessoa que por algum tempo, seja ele longo ou não, mas que dividiu com você bons e maus momentos. Não há necessidade de massacrar a outra pessoa , aquela mesma,  que um dia você prometeu amor eterno, não há necessidade expô-la ao ridículo.
Trair para expor-se ao perigo, saciar desejos ocultos, tem um alto custo para ambos, e esse custo pode causar transtornos psicológicos insuperáveis, portanto, pensar e repensar ainda é a melhor opção.
Quem foi vítima de uma traição, deve com urgência recuperar o amor próprio, por mais dor e sofrimento que sinta.Mas se resolver perdoar, perdoe com alma e coração, sem jamais tocar no assunto, ou trazer o passado de volta, mesmo que em ínfimos momentos.
Se não perdoar, se achar que sua dor e sofrimento não permitam tal atitude, saiba que a justiça está indenizando as vitimas da traição, mas só o faça consciente de que nunca mais perdoará aquele (a) que lhe causou tamanho dano.
Pois amar sem reservas, não significa anular-se como pessoa.
Depois, volte a amar, entregue-se, se dê a esse direito, e o faça todas as vezes que um novo amor bater em sua porta.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

LIBERDADE: LEDO ENGANO

"Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós", refrão de um lindo samba. Mas será que realmente sabemos o que é essa liberdade que tanto apregoamos, que gritamos aos quatro cantos "sou livre". Será que realmente somos livres no amplo sentido da palavra?
Não ser livre, não quer dizer que sejamos cativos, escravos. Muitas vezes abrimos mão de nossa liberdade, para sermos felizes.
Quando assumimos a maternidade, perdemos muito de nossa liberdade, a maior parte dela, passamos a viver para seres indefesos que dependem de nós, e mesmo naqueles momentos em que não necessitando de nossa ajuda, nosso pensamento está lá a tolher nossa liberdade, e levá-lo para o mundo dos nossos filhos.
Quando amamos, nossa liberdade é dividida, não precisamos deixar de ser o que somos, para agradar o outro, aí não seria amor, mas submissão, mas consciente ou inconsciente, nossa liberdade sofre reservas, e ficamos felizes, quando esse amor é retribuído, por isso, abrimos mão de muitas de nossas vontades, para dividir com as vontades da pessoa que amamos. Mas aí, não é perder nossa liberdade, mas sim nos darmos a oportunidade de vivermos novas experiências.
No momento em que colocamos nossos ideais de liberdade acima de tudo e de todos, podemos correr o risco de afastar pessoas que nos amam. Afinal, as pessoas que vivem ao nosso lado, em algum momento também abriram mão de um pouco de sua liberdade para serem felizes ao nosso lado.
Alguém pode falar de liberdade de pensamento, essa liberdade existe sim, mas de que vale ficar apenas no campo do pensamento? Será mesmo liberdade apenas pensar e não poder agir, afinal vivemos em sociedade, e como diz o ditado " a nossa liberdade, termina quando começa a do outro".
Há quem pense que liberdade no campo politico, é se manifestar, escrever cartas abertas,fazer passeatas. Mas e daí, você é livre, mas isso não quer dizer que seus anseios irão ser satisfeitos, só porque a Constituição garante que somos livres. Podemos ser livres,temos o direito de ir e vir, mas esse ir e vir, também em algum momento restringe nossa liberdade, afinal, temos liberdade para viajar, para onde quisermos e do modo que pudermos, mas se formos de ônibus, ficamos atrelados aos horários, se formos de carro, não somos livres para admirar a paisagem, temos que prestar atenção no trânsito.
Tudo bem, ir ao cinema, somos livres para escolher o filme ( os que estiverem em cartaz é claro), não podemos ir com qualquer roupa, e não somos livres para  deitarmos nas poltronas.
Ah sim! Escolher um dvd para assistir em casa, quem é sozinho tudo bem, não tem criança, nem outra pessoa para discutir o gosto por filme. Mas essa liberdade existe, para quem é sozinho, sem companhia, sem amigos, sem família, sem amor, mas vale a pena ser livre e solitário?
A liberdade é um engano, positivo creio eu. Não quero ser livre, quero minha que minha liberdade tropece em outra vida, não quero viver isolada, apenas para gritar "SOU LIVRE".
Tenho liberdade de expressão, mas entre vírgulas, ou quem sabe com dois pontos.
Então pensem, repensem, se gritar por liberdade, não é se tornar cativo dos próprios pensamentos, dos passos incertos, das palavras soltas ao vento, dos gritos sussurrados, abafados pelo não conhecimento do seu eu!

terça-feira, 19 de junho de 2012

BEM VINDO MEUS 45 ANOS









Na minha adolescência, chegar aos 45 anos parecia tão distante, para mim essa idade era sinal de velhice, algo que na época parecia ser impossível.
Pois chegou, a principio me assustei quando me dei conta que estou tão próxima aos 50. Mas e daí? Não pensem que mudei da noite para o dia, não mudei o modo de me olhar no espelho, não enxerguei mais rugas nem cabelos cabelos brancos, além daqueles que já possuo, e quer saber? Nem sei quando surgiram, só sei que ao longo do tempo, meu corpo foi se transformando, de forma lenta, gradual, e dessa forma, enxerguei como se fosse um presente, e agradeço a natureza, por não me ter me mostrado essas mudanças num sopro, num relâmpago.
Eu nunca fui certinha , sempre fugi das convenções ,das regras impostas pela sociedade, nunca tive medo de mudanças, e essas vieram de todas as formas, doloridas, amenas, sutis. E todas as provas que a vida me impôs, tirei de letra, caí, fui ao fundo do poço várias vezes, mas como se um ciclone brotasse debaixo dos meus pés, voltei a tona, sem olhar para baixo, sem querer saber os porquês.
Descobri na minha "Idade da Loba", o verdadeiro amor, um amor adolescente, irresponsável, que faz meu sangue correr acelerado nas veias, mas em contrapartida, é calmo, é terno, é amigo.
Hoje vivo um amor onde a espera não é agitada, mas é terna, vivo um amor onde os pensamentos convergem e divergem, mas se encontram em algum ponto sem hora nem local marcado. Vivo um amor com a sensação que já foi vivido em outra dimensão. Alma gêmea? Essa existe, eu encontrei a minha, mas para isso me arrisquei, investi, corri atrás, e valeu cada segundo investido.
Quando encontrei meus 40 anos, encontrei minha imagem refletida em um passado percorrido com passos firmes, determinados, mas caminhei de salto agulha também, cuidando para não falsear, pois nessa idade, um passo em falso pode ser mais danoso.
Encontrei a maternidade também nessa fase, uma maternidade nascida da dor, do desespero, da perda, essa perda que dói, que dilacera, mas em contrapartida, ilumina meus dias e noites, me faz sentir viva, útil, em constante estado de graça, mesmo porque vivo essa missão divina em todos os sentidos, eu choro, eu rio, eu sofro, perco o sono e até o chão algumas vezes.
Descobri que esse papel não vem com manual de instrução, mas vem com um amor incondicional, onde me esqueço de quem sou para assumir o papel dos meus anjos. Descobri que meu coração é imenso, mas as vezes fica apertado, sem espaço, sofrendo pelo sofrimento de quem eu amo com meu amor maior.Descobri que ser mãe não precisa gerar, precisa apenas doar-se e amar sem medidas.
Mas não pensem que fazer 45 me curou a hiperatividade, ao contrário, sinto-me mais viva, tenho alguns dilemas adolescente (ainda fico indecisa até na hora de fazer alguma mudança nos cabelos), tenho sede de aprender, de correr, de viver, de amar.
Sejas bem vindo meus 45, pois o que me vale é o espelho da minha alma!