terça-feira, 19 de junho de 2012

BEM VINDO MEUS 45 ANOS









Na minha adolescência, chegar aos 45 anos parecia tão distante, para mim essa idade era sinal de velhice, algo que na época parecia ser impossível.
Pois chegou, a principio me assustei quando me dei conta que estou tão próxima aos 50. Mas e daí? Não pensem que mudei da noite para o dia, não mudei o modo de me olhar no espelho, não enxerguei mais rugas nem cabelos cabelos brancos, além daqueles que já possuo, e quer saber? Nem sei quando surgiram, só sei que ao longo do tempo, meu corpo foi se transformando, de forma lenta, gradual, e dessa forma, enxerguei como se fosse um presente, e agradeço a natureza, por não me ter me mostrado essas mudanças num sopro, num relâmpago.
Eu nunca fui certinha , sempre fugi das convenções ,das regras impostas pela sociedade, nunca tive medo de mudanças, e essas vieram de todas as formas, doloridas, amenas, sutis. E todas as provas que a vida me impôs, tirei de letra, caí, fui ao fundo do poço várias vezes, mas como se um ciclone brotasse debaixo dos meus pés, voltei a tona, sem olhar para baixo, sem querer saber os porquês.
Descobri na minha "Idade da Loba", o verdadeiro amor, um amor adolescente, irresponsável, que faz meu sangue correr acelerado nas veias, mas em contrapartida, é calmo, é terno, é amigo.
Hoje vivo um amor onde a espera não é agitada, mas é terna, vivo um amor onde os pensamentos convergem e divergem, mas se encontram em algum ponto sem hora nem local marcado. Vivo um amor com a sensação que já foi vivido em outra dimensão. Alma gêmea? Essa existe, eu encontrei a minha, mas para isso me arrisquei, investi, corri atrás, e valeu cada segundo investido.
Quando encontrei meus 40 anos, encontrei minha imagem refletida em um passado percorrido com passos firmes, determinados, mas caminhei de salto agulha também, cuidando para não falsear, pois nessa idade, um passo em falso pode ser mais danoso.
Encontrei a maternidade também nessa fase, uma maternidade nascida da dor, do desespero, da perda, essa perda que dói, que dilacera, mas em contrapartida, ilumina meus dias e noites, me faz sentir viva, útil, em constante estado de graça, mesmo porque vivo essa missão divina em todos os sentidos, eu choro, eu rio, eu sofro, perco o sono e até o chão algumas vezes.
Descobri que esse papel não vem com manual de instrução, mas vem com um amor incondicional, onde me esqueço de quem sou para assumir o papel dos meus anjos. Descobri que meu coração é imenso, mas as vezes fica apertado, sem espaço, sofrendo pelo sofrimento de quem eu amo com meu amor maior.Descobri que ser mãe não precisa gerar, precisa apenas doar-se e amar sem medidas.
Mas não pensem que fazer 45 me curou a hiperatividade, ao contrário, sinto-me mais viva, tenho alguns dilemas adolescente (ainda fico indecisa até na hora de fazer alguma mudança nos cabelos), tenho sede de aprender, de correr, de viver, de amar.
Sejas bem vindo meus 45, pois o que me vale é o espelho da minha alma!

7 comentários:

  1. Li pensando e enxergando meus 44...que legal ler alguma coisa e identificar-se com ela.

    Continue escrevendo e marcando positivamente as tuas experiências de vida!

    Ganhaste uma leitora!

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  2. Lindo maravilhoso me vi nele vou roubartilhar meus 4.5 parabéns

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  3. Muito interessante o jeito como vc reflete a vida aos 45. Parece mesmo com o meu jeito de ser.
    Bom ler o seu "pensamento". Bjs.
    Jesus é conosco!

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  4. Amei seu texto, me identifiquei nele em tudo... Vou roubartilhar...continue nos agraciando com sua excelente escrita da vida real... Bjs

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